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Herói, Vilão ou Meme?

O gigantesco moedor de pessoas e reputações, a Copa do Mundo, faz mais uma vítima.

Publicado em 28/06/2026 às 06:53

Herói, Vilão ou Meme? (Foto: Américo de Castro)

Por Stone Hit

El Loco Bielsa grita com uma repórter. A internet imediatamente faz exatamente o que sabe fazer. Corta o vídeo e o transforma em meme.

Escolhe um lado. Julga em quinze segundos. Fim da história!

Ou talvez seja justamente aí que ela começa, porque eu fiquei olhando aquela cena e tive uma sensação completamente diferente. Não vi um treinador bravo e descontrolado. Vi um ser humano tentando desesperadamente estar em qualquer lugar do universo... menos ali!

Existe um momento curioso em quase todos os filmes de desastre: O meteoro já caiu. A nave já chegou. Os zumbis invadiram. O herói olha em volta e percebe uma coisa terrível... Ele não tem mais plano nenhum!

É exatamente essa expressão que eu enxerguei no rosto do Bielsa. A Copa do Mundo talvez seja o maior espetáculo esportivo do planeta e o primor do entretenimento. Mas ela também é um gigantesco triturador de pessoas. Todo mundo lembra do campeão.

Todo o resto vira atestado de incompetência ou meme. 

A câmera adora registrar o beijo na taça. Mas ela também permanece ligada justamente quando a bateria emocional descarrega completamente.

Nós crescemos aprendendo a ganhar.

"Você consegue."

"Vai dar certo."

"É só acreditar."

Mas alguém já ensinou como se reerguer? Não existe a disciplina "Como reagir quando tudo dá errado?"

Nós somos treinados para o sucesso e improvisamos diante do fracasso.

Talvez seja por isso que tantas pessoas desabem quando a vida muda o roteiro.

Uma demissão. Um divórcio. Um diagnóstico... Uma eliminação na Copa do Mundo!

A sociedade espera elegância até no colapso. Você pode sofrer, mas sofra bonito. 

Pode quebrar por dentro. Só não estrague o entretenimento.

Foi isso que mais me chamou atenção na reação das redes sociais.

Quase ninguém parecia interessado em entender o que estava acontecendo. As pessoas queriam apenas decidir se ele era herói, vilão ou meme.

Porque entender alguém é cansativo, mas julgar é praticamente automático.

E existe outra camada nessa história.

Antes mesmo da bola rolar, já existiam notícias sobre um ambiente interno conturbado, jogadores questionando métodos de treino, divergências táticas, lesões, pressão e desgaste. Talvez o Uruguai tenha perdido antes mesmo do apito inicial. E talvez aquela explosão não tenha começado na entrevista. Ela só encontrou ali seu primeiro vazamento visível.

Nos videogames existe uma barra de energia. Quando ela acaba, o personagem simplesmente cai morto. Na vida real, não existe barra nenhuma. Você continua andando.

Continua falando. Continua dando entrevistas. Até que, de repente uma simples pergunta vira a gota que faz a represa inteira romper.

A internet costuma chamar isso de fraqueza. Eu aprendi a chamar de limite humano.

Porque nenhum cargo elimina o fato de que existe ali uma pessoa também.

Talvez a maior ficção da Copa do Mundo não seja acreditar que um país inteiro pare por causa de uma bola. Talvez seja acreditar que quem está do outro lado da câmera deixa de ser humano só porque virou personagem.


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Fonte: Stone Hit