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Entre caixas, resgates e seguidores: apicultor vira referência nas redes
Hendryl Cadorin Boza transformou a rotina entre abelhas em conteúdo e passou a aproximar milhares de pessoas do universo da apicultura.
Publicado em 20/09/2026 às 06:10
Hendryl Cadorin Boza encontrou nas redes sociais uma forma de mostrar o cotidiano da apicultura e aproximar o público do universo das abelhas. (Foto: Reprodução )
Hendryl Cadorin Boza encontrou nas redes sociais uma forma de mostrar o cotidiano da apicultura e aproximar o público do universo das abelhas. (Foto: Reprodução )
Quem acompanha o trabalho de Hendryl Cadorin Boza pelas redes sociais talvez conheça o “amarelão”, os resgates, as caixas cheias de abelhas e a facilidade com que ele encontra uma rainha em meio a milhares de insetos. Mas, por trás dos vídeos que despertam curiosidade e conquistam seguidores, existe uma rotina que ficou cada vez mais intensa.
Em janeiro de 2025, estivemos no apiário de Hendryl para conhecer de perto o trabalho com as abelhas. De lá para cá, muita coisa mudou. O número de caixas aumentou, a responsabilidade cresceu e aquilo que começou como uma atividade que já fazia parte da rotina ganhou também um espaço cada vez maior nas redes sociais.

Hoje, Hendryl trabalha com mais de 200 enxames, resultado de resgates, divisões de colônias e, principalmente, de um processo constante de seleção das melhores características das abelhas.
“Agora tem uma responsabilidade muito maior. Eu cuido de muitas caixas e tenho que fazer manejo em todas, fazer troca de cera. Isso ocupa muito tempo do meu dia, da minha rotina. Ficou mais pesada, mas é gostoso de trabalhar com elas”, conta.
Produção e seleção das colônias
A produção também chama atenção. Segundo Hendryl, atualmente são produzidos, em média, 20 a 30 quilos de mel por caixa. Mas chegar a esse resultado envolve muito mais do que simplesmente colher o mel.
Como trabalha com diferentes genéticas, ele precisa acompanhar o comportamento de cada colônia e identificar quais apresentam melhores características.
“Eu não sei como elas vão se comportar. Então tenho que ir selecionando elas no apiário manualmente, anotando certinho e fazendo toda essa medição”, explica.
O processo permite identificar quais abelhas apresentam melhor desempenho e quais precisam de intervenção ou substituição de determinados elementos da colmeia.
É um trabalho que exige observação, paciência e muitas horas entre as caixas.

O amigo que ajudou a transformar a rotina em conteúdo
Se o trabalho com as abelhas cresceu, a presença de Hendryl na internet também ganhou outra dimensão.
A ideia de começar a mostrar a rotina surgiu depois de uma conversa com um amigo, João. Hendryl já costumava compartilhar alguns vídeos em grupos de amigos, mostrando resgates e situações do dia a dia, mas ainda não dominava a produção e a edição de vídeos.
Foi quando João se ofereceu para ensinar.
“Ele chegou para mim e falou: ‘Cara, você sempre posta uns vídeos ali no grupo dos amigos’. E falou que ia me ensinar a editar, sem cobrar nada, porque era meu amigo e queria me ensinar”, relembra.
A partir daí, a brincadeira ganhou forma. O conteúdo começou a sair dos grupos de amigos e encontrou um público que tinha curiosidade — e muitas dúvidas — sobre o mundo das abelhas.
Da curiosidade à comunidade
Hendryl conta que nunca imaginou que o conteúdo alcançaria tanta gente.
A apicultura é um assunto bastante específico, mas justamente por mostrar uma realidade que poucas pessoas acompanham de perto, os vídeos começaram a despertar interesse.
Entre os conteúdos que mais chamam a atenção está a capacidade de encontrar a abelha rainha em meio a uma colônia.
Para quem observa de fora, localizar uma única abelha em uma caixa cheia de indivíduos parece uma tarefa quase impossível. Para Hendryl, faz parte da experiência adquirida no trabalho diário.
Um resgate no cemitério e o nascimento do “amarelão”
Entre tantos momentos vividos diante das câmeras, alguns ficaram marcados na trajetória de Hendryl.
Um deles aconteceu durante um resgate realizado em um cemitério. O que ele não esperava era que aquele trabalho chamasse tanta atenção nas redes sociais.
O vídeo alcançou rapidamente um grande público e trouxe novos seguidores.
Mas outro episódio também ajudou a criar uma identidade para Hendryl nas redes: o surgimento do apelido “amarelão”.
A expressão começou a aparecer repetidamente nos comentários até ganhar espaço no próprio conteúdo e ajudar a transformar o apicultor em um personagem reconhecido pelo público.
O apiário cresceu. E os planos também
A transformação desde a nossa primeira visita ao apiário, em janeiro de 2025, mostra que o trabalho ganhou proporções maiores.
São mais caixas, mais manejo, mais resgates e também uma comunidade digital interessada em acompanhar cada etapa.
Para Hendryl, porém, o caminho ainda está em construção.
Os próximos planos são continuar crescendo, realizar mais resgates, ampliar o trabalho no apiário e seguir aprendendo com as próprias abelhas.
Não há uma fórmula pronta ou um ponto final.
É continuar observando, selecionando, manejando, resgatando e compartilhando.
Porque, entre uma caixa e outra, Hendryl acabou descobrindo que seu trabalho poderia fazer mais do que produzir mel: poderia também aproximar pessoas de um universo que, até então, muitos só conheciam pelo medo de uma ferroada.

Fonte: Portal da Cidade Paranavaí
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