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Da enxada à máquina de costura: a força de uma mulher que nunca parou de lutar
Desde os 12 anos, Cleide aprendeu que o trabalho transforma vidas. Entre a roça, a cidade e o campo, construiu uma trajetória marcada por força e dedicação
Publicado em 02/08/2026 às 06:21
Para Cleide Rodrigues dos Santos Nascimento, de 69 anos, trabalhar nunca foi apenas uma necessidade. Sempre foi uma forma de construir a própria história.
Foi aos 12 anos que ela começou a ajudar na roça. Na época, o café predominava nas propriedades rurais, e o dia era tomado por tarefas que exigiam disposição e força. Capinar, plantar, cuidar do pasto, tirar leite e lidar com o gado faziam parte da rotina de uma menina que cresceu aprendendo que o sustento da família vinha do esforço diário.
A vida no campo seguiu até os 24 anos. Com a redução das oportunidades na zona rural, ela precisou deixar a roça para buscar um novo caminho na cidade. Foi também nessa fase que se casou e iniciou uma nova etapa ao lado da família, tornando-se mãe de Leandro.

Um pouco da família de Cleide: Leandro, seu filho e a neta Gabriela.
Longe da terra, Cleide encontrou na costura uma profissão. Durante mais de 30 anos, trabalhou em malharias e confecções, construindo sua vida com dedicação e muito esforço.
Mas o desejo de voltar às origens nunca desapareceu.
Anos depois, surgiu a oportunidade de conquistar um pequeno pedaço de terra na Vila Rural Vila Nova, onde encontrou novamente a tranquilidade do campo. Hoje, cria galinhas, vende frangos e ovos.

Na chácara, ela encontrou uma nova forma de viver: colocou a mão na terra e passou a cultivar de tudo um pouco. Plantou uva, ameixa, abacaxi, caqui, morango, colorau, cana-de-açúcar e muitas outras variedades. Cada planta carrega um pouco da dedicação e do carinho de quem aprendeu, desde cedo, que o trabalho no campo também é uma forma de construir histórias.


Ao longo da vida, Cleide também enfrentou perdas. Ficou viúva, mas nunca deixou que as dificuldades apagassem sua vontade de seguir em frente.
Quando fala sobre sua trajetória, ela resume tudo em uma frase simples, mas carregada de significado:
"É o que gosto de fazer."
Mais do que contar a história de uma trabalhadora, a trajetória de Cleide retrata a realidade de muitas famílias que precisaram deixar a roça em busca de oportunidades, sem nunca perder o amor pela terra. Sua vida é um exemplo de coragem, dedicação e da certeza de que, mesmo depois de tantos caminhos percorridos, sempre é possível voltar às próprias raízes.
Fonte: Portal da Cidade Paranavaí
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