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O homem que venceu a morte correndo, a incrível história de “Álvaro”

Tinha vergonha do corpo, foi convidado a praticar pedetrianismo mas só começaria se fosse às 22 horas, o amigo topou e o ajudou a mudar de vida.

Publicado em 30/08/2026 às 05:59
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O homem que venceu a morte correndo, a incrível história de “Álvaro” (Foto: Avelar Esportes)

Em entrevista ao site Avelar Esportes para a coluna Recordando do Portal da Cidade Paranavaí, Álvaro relatou as lembranças boas do passado.

Em 1968, o diagnóstico médico foi categórico para Álvaro Pereira de Carvalho: no máximo seis meses de vida. O coração falhava, as palpitações assustavam e o ponteiro da balança batia quase nos 99 quilos. Para qualquer outro, a sentença seria o fim. Para o paulista de Martinópolis, criado no futebol e radicado em Paranavaí, foi apenas o sinal de largada.

O pedestrianista com 38 anos.

“Se forçar você morre, se não forçar também morre. Vamos morrer forçando!”


Álvaro e Aparício no Rio em 1986.

Foi com essa resposta destemida que Álvaro — carinhosamente conhecido como o Corredor dos 100 km e no futebol por Portuga — aceitou a intimação do amigo Aparício Gonzales Del Rio (Espanhol). Aos 20 e poucos anos, envergonhado das coxas grossas e vestindo calção no escuro da noite, ele deu os primeiros passos às 22 horas. Entre assaduras, sangramentos e a dor do início, ele andava enquanto Aparício trotava ao seu lado. Uma amizade e uma persistência que transformaram o prognóstico de morte em uma trajetória de quase 80 anos de vida.

No início na modalidade contou Álvaro que ia com Aparício até o Jardim São Jorge, depois aumentou os percursos indo até os Distritos de Sumaré e Mandiocaba, uma vez foram até a cidade de Rondon.

Maratona no Rio de Janeiro .

A corrida que começou por sobrevivência virou paixão nacional. O coração, que os médicos disseram ter prazo de validade, virou um motor inquebrável.

Troféu dos 100 km entre Uberaba e Uberlândia/MG.

Álvaro participou de 25 edições da Corrida de São Silvestre em São Paulo, sua melhor colocação na categoria 38 anos foi 51ª. Sempre levava consigo em seu veículo os amigos Aparício, Senra e Izais Lino (tinha o apelido de Bolachinha, devido ter comprado um tênis para não escorregar e tinha rodelas parecendo uma bolacha). Esteve em 42 Maratonas em várias capitais brasileira (SP, SC, BA, RJ, MJ e outras). Também correu provas de 100 km (Uberaba e Uberlândia foi uma) ficou em 78º lugar. Uma vez correu 100 km dentro da USP. Parou em 2016 em plena saúde, nunca mais o coração deu sinal de parar e nem assustar.

Em 1988 com o amigo Norberto Flor.

A primeira de suas 25 aparições na lendária Corrida de São Silvestre veio em 1979. Depois de várias competições renomadas, Álvaro e seus companheiros já com idades mais avançadas corriam para abrilhantar as provas da região e do Sesc, carregando o orgulho de levar o nome de Paranavaí onde quer que fossem. Ele teve como apoio ético e transparente a Relojoaria Cyma (Roberto e o filho Takamori), a Comapa (Dal-Prá), o Grupo Rivesa e a Metanol, com quem sempre manteve uma conduta irretocável: “Nunca aumentei despesas nas viagens em que fomos ajudados, sempre fui e continuo honesto.”

Coletes que ganhava nas provas.

Antes do pedestrianismo, a vida de Álvaro pulsava nos gramados. Pequeno no tamanho (1,63 m), mas gigante na agilidade, defendeu o gol do ACP nas categorias infantil e juvenil (técnico era o conhecido goleiro Mangaba, muitos anos como reserva do ACP), passou pelo D.E.R. como ponta-direita e chegou ao profissionalismo no Corinthians de Presidente Prudente em 1966 (disse que fez muitos gols). A pedido da avó, que pedia para ele largar o futebol e cuidar da mãe, pendurou as chuteiras. Mas a alma de atleta continuava lá.

Hoje, morando desde 1972 em uma pequena chácara no bairro Chácara Jaraguá em Paranavaí, lá tem uma sala onde tem seus troféus e medalhas.

Bem próximo de Álvaro está a primeira mina que dá origem ao Ribeirão Surucuá (desagua no Rio Ivaí perto de Paraíso do Norte).

Álvaro em sua chácara ao lado da nascente do Ribeirão Surucuá na Chácara Jaraguá.

Álvaro olha para trás com a serenidade de quem superou todos os limites. Filho de portugueses (pai oficial da Marinha de Covas do Douro e mãe de Bragança), o lendário corredor dos 100 km resume sua filosofia para a nova geração:

Bikes dos filhos e netos estão na chácara de Álvaro.

Respeite o seu corpo: Nunca ultrapasse seus limites tentando provar algo a alguém.

Corra com inteligência: Cada distância (10, 20, 30 ou 100 km) exige uma estratégia e um ritmo próprio.

Persista: O esporte é vida e saúde.

Vencer é concluir: A corrida se ganha no final. Não importa se você chegou em 1º, 10º ou 100º — o título real é cruzar a linha de chegada.

Prestes a completar 80 anos no próximo dia 21 de dezembro, Álvaro Pereira de Carvalho é a prova viva de que o esporte e a fé curam. O coração que ia parar em seis meses correu maratonas, venceu estradas e gravou seu nome na história do esporte paranaense.

Álvaro recebeu José Carlos Avelar em sua residência.

Fonte: Avelar Esportes

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