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A Odisseia de Nolan e o Fardo da Culpa

Nesse filme Nolan lança “Seu disco” mais pessoal e mostra suas obsessões Coluna Geek Stone Hit

Publicado em 26/07/2026 às 06:52

A Odisseia de Nolan e o Fardo da Culpa (Foto: Stone Hit)

Por Stone Hit

Christopher Nolan sempre foi o cara que toca progressive rock num festival de pop: complexo, ambicioso e, às vezes, pretensioso, mas quando acerta, o bicho faz a arena inteira levantar. Com A Odisseia, ele finalmente encontrou o riff perfeito para sua obsessão com tempo, culpa e megalomania. E o resultado é um épico que soa como um álbum conceitual do Pink Floyd: denso e hipnótico!


O anti-herói e sua colheita

Matt Damon encarna Odisseu não como o guerreiro esperto da lenda, mas como um homem devastado pelas consequências de suas próprias escolhas (Foda!). Nolan faz uma jogada ousada aqui: em vez de celebrar a húbris do herói, ele a transforma em fardo. O famoso truque do "Ninguém" contra o Ciclope? Cortado. A revelação triunfal do nome? Substituída por uma flechada silenciosa. Remorso puro. É como se Nolan pegasse o solo de guitarra mais exibido da história e o transformasse numa balada crua num boteco às 3h da manhã. 


O som da idade do bronze

Nolan vetou metais épicos e coros solenes. O resultado é uma trilha que parece emergir do próprio mundo, não de um estúdio em Los Santos. Quando Odisseu tensiona o arco no clímax da parada toda, a lira ecoa: arma e instrumento se fundem. Genial!


A banda de apoio

Tom Holland, vive Telêmaco que cresce sem o pai e carrega o peso dessa ausência. Anne Hathaway extrai camadas emocionais impecáveis provando que atores de primeira linha sabem quando deixar o silêncio falar. Zendaya e os demais compõem um elenco de apoio que sustenta o peso mitológico e não roubam a cena. 


O terceiro ato: A Catarse

O confronto final em Ítaca recusa o triunfo limpo. Nolan não entrega uma vitória épica com fogos de artifício, mas a exaustão de um homem que finalmente chega em casa e sabe que nunca será o mesmo. É um encerramento que ressoa como o fade-out de uma balada pesada: você sente o silêncio depois que a última nota morre!



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Fonte: Américo de Castro

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