investigação
Novos laudos apontam possível tortura em chacina que matou quatro homens em Icaraíma
A informação foi confirmada pela advogada das famílias, Josiane Monteiro, que acompanha o caso desde o início.
Publicado em 16/06/2026 às 13:24
Dez meses após a chacina que vitimou quatro homens em uma propriedade rural de Icaraíma, no Noroeste do Paraná, novos documentos anexados ao processo trouxeram elementos que podem alterar os rumos da investigação. Laudos periciais obtidos pelas famílias das vítimas apontam indícios de que os homens possam ter sido torturados antes de serem executados.
A informação foi confirmada pela advogada das famílias, Josiane Monteiro, que acompanha o caso desde o início. Segundo ela, materiais recentemente incluídos no processo apresentam informações que divergem de versões consideradas nos primeiros meses da investigação e levantam dúvidas sobre a dinâmica do crime.
Os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Mariscal, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza Giron foram encontrados enterrados em uma área rural dias após o desaparecimento das vítimas. O caso ganhou grande repercussão pela violência empregada e pela complexidade das investigações.
De acordo com os novos laudos, fotografias periciais mostram sinais que podem indicar agressões antes das execuções. Entre os elementos apontados estão um corpo encontrado com os pés amarrados por uma corda vermelha e uma lesão em uma das orelhas de outra vítima, circunstâncias que passaram a ser analisadas como possíveis indícios de tortura.
As famílias questionam a demora na disponibilização completa dos laudos, incluindo as fotografias periciais. Segundo a defesa, durante meses apenas parte da documentação teria sido disponibilizada, sem acesso integral ao material técnico produzido pela perícia.
Outra linha investigativa que perde força é a hipótese inicialmente ventilada de legítima defesa em razão de uma suposta cobrança de dívida. Conforme os elementos reunidos ao longo da investigação, os indícios apontam para uma possível emboscada, além da ocultação dos corpos em local diferente da cena principal do crime.
A perícia já havia identificado anteriormente o uso de pelo menos cinco armas de calibres distintos nas execuções. Agora, com os novos documentos, familiares esperam que sejam esclarecidas possíveis situações de sequestro, cárcere privado e tortura antes das mortes.
O caso segue sem a prisão dos principais investigados. Antônio Buscariollo, conhecido como Tonhão, de 67 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, permanecem foragidos desde agosto de 2025 e continuam sendo procurados pelas autoridades.
Em razão do sigilo das investigações, a Polícia Civil informou que não há novas informações que possam ser divulgadas publicamente neste momento.
Fonte: Portal da Cidade Paranavaí
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