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Sobre a cidade do interior que é para todos os gostos

​Algumas cidades são lembradas por seus monumentos. Outras, por suas paisagens. Mas existem cidades que se destacam por algo menos visível.

Publicado em 07/06/2026 às 07:30

Sobre a cidade do interior que é para todos os gostos (Foto: Festa de São João, de Candido Portinari)

Por Fernanda Curanishi

​Olá amigos leitores! Espero que tenham tido uma semana de muito trabalho! Obrigada por, nesse momento de descanso que é o final de semana, vocês tirarem um tempo para nosso encontro semanal. É sempre muito bom receber vocês aqui.

​Recentemente eu vi um anúncio falando sobre a Corrida Maluca, aqui em Paranavaí. Essa semana, tivemos a celebração de Corpus Christi no Noroestão, abrigando toda a comunidade católica. Esse final de semana, tivemos uma festa junina (a primeira da temporada, talvez) em um importante órgão da cidade. Observar esses eventos me fez pensar em como nossa Cidade Poesia sempre tem eventos e atrações para a comunidade. Eu, vindo de uma cidade maior, não tinha essa vivência lá. As cidades grandes normalmente estão ocupadas demais para pensar nas pessoas que a constroem. Mas as cidades geograficamente menores, abrem cenários maiores para que sua população tenha experiências de lazer, de tempo de qualidade e de fortalecimento de laços.

​Algumas cidades são lembradas por seus monumentos. Outras, por suas paisagens. Mas existem cidades que se destacam por algo menos visível, embora importante, que é a capacidade de reunir pessoas diferentes em torno de experiências igualmente distintas. Ao longo do ano, Paranavaí se transforma muitas vezes. Em alguns momentos, o som das guitarras toma conta do ambiente e atrai os apaixonados pelo rock. Em outros, a emoção está nas competições esportivas, nas corridas, nos jogos e nos desafios que movimentam atletas e torcedores.

​Temos, também, espaço para a poesia, para a música, para as artes visuais, para o teatro e para outras diferentes manifestações culturais. Aqui, temos espaço até para quem não gosta de nada disso, mas se diverte correndo na lama, por exemplo. Nem todos participam de tudo. E nem precisam.

​Há quem conte os dias para o Suruá Rock. Há quem se encante com o Femup. Há quem prefira visitar uma exposição, acompanhar os jogos promovidos pelo município ou prestigiar o Festival Mulheres em Cena. Existem os que esperam e trabalham nos eventos religiosos: festas, show de prêmios e quermesses. Outros aguardam a Corrida Maluca ou a Corrida na Lama como um dos momentos mais divertidos do ano. Até mesmo quando não temos um evento fixo em nosso calendário, a Praça dos Pioneiros eventualmente se enche de luz, música e pessoas, que confraternizam aos finais de semana e se renovam. Isso me mostra que a vida aqui acontece de uma maneira devagar, mas enriquecedora, como toda existência deveria ser.

​À primeira vista, esses eventos não parecem ter ligação entre si. Mas existe um fio invisível que os conecta: todos eles ajudam as pessoas a encontrar seu lugar na cidade. Vivemos uma época em que muito se fala sobre pertencimento. Sobre a necessidade de sentir que fazemos parte de algo maior. E talvez essa sensação não nasça apenas dos grandes acontecimentos. Ela surge quando encontramos espaços onde podemos compartilhar interesses, conhecer pessoas, celebrar talentos e criar memórias.

​Uma cidade culturalmente ativa não é aquela que oferece apenas um tipo de programação. É aquela que compreende que seus moradores são diversos. Que entende que a riqueza está justamente na variedade. Afinal, uma comunidade forte não é formada por pessoas iguais. Ela é construída pela convivência respeitosa entre diferentes gostos, diferentes gerações e diferentes formas de expressão. Quando observamos a agenda cultural da cidade ao longo do ano, percebemos algo interessante: cada evento reúne um público específico. Mas, juntos, eles desenham um retrato completo da cidade. Crianças, jovens, adultos e idosos encontram oportunidades de participar, torcer, criar, aprender, competir ou, simplesmente, apreciar.

​Os eventos passam. Os palcos são desmontados. As competições terminam. As luzes se apagam. Mas permanecem as lembranças, as amizades, as histórias compartilhadas, as fotos e a certeza de que viver em comunidade é muito mais do que dividir o mesmo espaço geográfico. É também dividir experiências. Talvez seja esse um dos maiores patrimônios de uma cidade: oferecer oportunidades para que cada pessoa encontre aquilo que a faz sentir parte dela. Porque uma cidade verdadeiramente viva é aquela em que sempre há espaço para alguém.

​Você já descobriu qual o seu espaço?

Uma semana afetuosa para vocês,

Fernanda C.


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