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MATÉRIA ESPECIAL

Após 18 meses, policial de Paranavaí descobre quem recebeu sua doação de medula óssea

Josiele Veríssimo viveu um dos momentos mais emocionantes de sua vida ao descobrir que o paciente que recebeu sua medula está vivo.

Publicado em 19/07/2026 às 07:01
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Josiele Veríssimo viveu um dos momentos mais emocionantes de sua vida ao descobrir que o paciente que recebeu sua medula está vivo. (Foto: Reprodução/Portal da Cidade Paranavaí)

Salvar vidas sempre fez parte da rotina da policial militar Josiele Veríssimo, do 8º Batalhão da Polícia Militar, em Paranavaí. Em 2024, porém, ela viveu uma experiência que ultrapassou o trabalho nas ruas: doou medula óssea para um paciente desconhecido após ser encontrada uma compatibilidade considerada extremamente rara.

Dezoito meses depois, a história ganhou um novo capítulo.

Com o fim do período de sigilo estabelecido pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), Josiele solicitou a liberação das informações e finalmente descobriu quem era o homem que recebeu sua doação.

A primeira notícia que recebeu foi a que mais esperava.

"Quando chegou a mensagem dizendo que ele estava vivo, eu comecei a chorar. Nem sabia quem era ainda. Eu só repetia: 'Ele está vivo'. Para mim, aquilo já tinha valido tudo."

Em entrevista, a policial contou que a emoção tomou conta imediatamente, já que durante todo o processo ela nunca soube quem seria o receptor.


Uma ligação inesperada mudou tudo

Josiele lembra que, quando recebeu o contato informando sobre a compatibilidade, chegou a desconfiar que fosse um golpe.

Ela havia se cadastrado como doadora anos antes e não imaginava que um dia seria chamada.

"É uma chance muito pequena de encontrar alguém compatível. Quando me explicaram como funcionava o transplante, eu só pensei que não podia desistir. Se aquela ligação chegou até mim, era porque alguém precisava de ajuda."

Ao longo dos meses seguintes, ela passou por diversos exames e viajou para diferentes estados brasileiros até realizar a coleta da medula.

Durante esse período, conheceu pacientes que aguardavam há anos por um doador compatível.

"Nas filas dos hospitais eu via crianças, pais e mães esperando uma oportunidade de continuar vivendo. Aquilo fez eu entender a importância de cada cadastro."

O procedimento foi mais simples do que imaginava

Josiele afirma que um dos maiores mitos sobre a doação é o medo da dor.

No caso dela, o procedimento foi realizado por aférese, método em que as células-tronco são retiradas por meio da filtragem do sangue.

"Fiquei acordada o tempo todo. Tive apenas uma leve dor de cabeça e um pequeno desconforto na coluna. No mesmo dia já estava bem."

Ela reforça que a recuperação é rápida e que o sentimento de ajudar alguém supera qualquer receio.


Uma nova chance de viver

Após a quebra do sigilo, Josiele descobriu que o receptor enfrentava uma longa batalha contra o câncer e que era filho adotivo.

A informação deu ainda mais significado à experiência.

"Eu senti que Deus uniu uma pessoa que nunca desistiu de nada com alguém que tinha apenas uma chance. Hoje saber que ele venceu essa batalha não tem explicação."

Ela afirma que receber a confirmação de que a doação deu certo foi um dos momentos mais marcantes de sua vida.

Apelo para novos doadores

Depois de viver toda a experiência, Josiele faz um pedido para quem ainda tem receio de entrar no cadastro de doadores de medula óssea.

"Não tenham medo. A maioria das doações acontece de forma muito tranquila. Um simples cadastro pode ser a única esperança de alguém. Eu nunca imaginei que seria chamada, mas fui. E hoje tenho a certeza de que uma decisão tomada há anos ajudou a salvar uma vida."

Ela espera que sua história incentive outras pessoas a se cadastrarem no Redome e aumente as chances de milhares de pacientes que ainda aguardam por um doador compatível.

Fonte: Portal da Cidade Paranavaí

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