Portal da Cidade Paranavaí

matéria especial

Neste aniversário, Paranavaí completa 73 anos de história no Noroeste do Paraná

Pesquisa do jornalista David Arioch conta a história da região, que mudou de nome ao longo das décadas até se tornar município em 14 de dezembro de 1952.

Publicado em 14/12/2025 às 01:19
Atualizado em

Ruas estreitas do centro de Paranavaí refletem a falta de planejamento durante a colonização em 1958. (Foto: oshikazu Takahashi)

O tempo muda a paisagem, abre estradas, derruba matas, desenha ruas e cria novos bairros. Mas a história de Paranavaí, que completa 73 anos como município neste dia 14 de dezembro, começa bem antes da data oficial.

Ao longo de anos de história, a região recebeu diversos nomes até chegar ao que hoje chamamos de Paranavaí.

Segundo a pesquisa publicada pelo jornalista David Arioch em seu blog independente, a história da cidade começa em 1910, quando a instinta Companhia Brasileira de Viação e Comércio (Braviaco) começou a desbravar o Noroeste do Paraná, momento esse em que Paranavaí e região passaram a ser chamadas de Gleba Pirapó.

Ainda conforme a pesquisa de Arioch, em 1926 o engenheiro agrônomo baiano Joaquim da Rocha Medeiros, funcionário da Braviaco, coordenou a derrubada de uma área de mata para plantar 1,2 milhão de pés de café.


Mata nativa foi derrubada para plantar mais de um milhão de pés de café. Foto: Reprodução.

Para sustentar a operação, foi aberta uma estrada com 110 quilômetros, ligando a Fazenda Ivaí ao Porto São José, com o objetivo de viabilizar transações comerciais e transportar o café. Pelo mesmo caminho, relata Arioch, seguiu o equipamento necessário para construir uma serraria, responsável por estruturar o que um dia seria Paranavaí.

Em 1927, Joaquim Medeiros buscou em Pirapora (MG) cerca de 300 famílias de migrantes para trabalhar nas lavouras. Segundo o jornalista, o grupo chegou até Presidente Prudente em um trem e enfrentou semanas de chuva, estrada intransitável e a necessidade de reconstruir uma ponte no Rio Santo Anastácio antes de seguir. No diário pessoal citado por Arioch, Medeiros registrou a frase “Só mesmo o nordestino para suportar tanto desconforto”.

Paranavaí se desenvolveu a partir da produção de café. 

A pesquisa aponta a década de 1920 como o período mais difícil para os moradores, que viviam isolados em meio à mata, com acesso complicado a outros povoados e longas distâncias para obter itens básicos. A própria logística da colônia, segundo o levantamento, incluía viagens extensas para trazer carne e gado, com deslocamentos que podiam levar semanas.

Com o avanço da monocultura cafeeira, a Vila Montoya ganhou contornos de cidade em 1928. A história muda de rumo a partir de 1930. A pesquisa de Arioch relata que, naquele ano, foram trazidas a Montoya cerca de 1,2 mil famílias para trabalhar nas lavouras sob regime de colonato, mas o processo foi interrompido no ano seguinte.

Paranavaí nasceu entre a mata fechada. Foto: Fundação Cultural.

Após a Revolução de 1930, o título de propriedade da Gleba Pirapó foi cassado, e Medeiros registrou que colonos e funcionários precisaram abandonar a vila e percorrer longas distâncias a pé. No levantamento de Arioch, esse período é descrito como um momento decisivo para a interrupção do desenvolvimento da colônia.

Em 1931, segundo a pesquisa, a antiga Vila Montoya passou a ser chamada de Fazenda Brasileira, e um decreto assinado pelo interventor federal do Paraná, o general Mário Tourinho, retomou as terras e autorizou loteamentos.

Vista parcial da Brasileira na época em que os italianos compraram uma fazenda. Foto: Fundação Cultural de Paranavaí.

Nos anos seguintes, a região enfrentou instabilidade e conflitos ligados à posse de terras. A pesquisa de David Arioch descreve a década de 1930 como "um período marcado por crimes, disputas e insegurança, além de incertezas sobre o repovoamento". Em 1942, o funcionário da Inspetoria de Terras Ulisses Faria Bandeira foi transferido para a Fazenda Brasileira e demarcou a primeira via da colônia, a Avenida Paraná, num processo ligado à chegada de novos moradores e à reorganização do povoado.

A matéria também registra que o nome Paranavaí só aparece em 1944, por sugestão de Francisco de Almeida Faria, com a justificativa de batizar a cidade com um nome único. A partir da junção dos rios Paraná e Ivaí, surgiu a Colônia Paranavaí, que, naquele momento, segundo Arioch, tinha cerca de 500 habitantes, distribuídos em 80 casas feitas de tabuinhas velhas, com pontos de referência como o Hotel da Imigração, a Inspetoria de Terras, o primeiro Grupo Escolar e o hospital conhecido como Hospital do Estado.

Vista aérea de Paranavaí em 1954, com destaque para as obras da antiga Rodoviária.

O processo de emancipação política aparece no levantamento como um marco de virada. Em 14 de dezembro de 1951, Paranavaí conquistou a emancipação por meio da lei estadual nº 790, e, um ano depois, em 14 de dezembro de 1952, foi elevada oficialmente a município. A pesquisa cita dados do IBGE indicando que Paranavaí tinha 22.260 habitantes em 1951 e 25.520 em 1952, ano da instalação do município.

Nas décadas seguintes, o crescimento foi puxado pela força da cafeicultura e pela atuação de colonizadoras privadas, segundo Arioch, que também cita dados do então Instituto Ambiental do Paraná apontando que a região somou 90 milhões de pés de café antes do fim dos anos 1950. Ainda conforme o levantamento, campanhas publicitárias em vários estados aceleraram a venda de lotes urbanos e rurais, e o IBGE registrou 307 mil habitantes na região de Paranavaí em 1960.

Região de Paranavaí somou 307 mil habitantes em 1960. Foto: Fundação Cultural.

Ao completar 73 anos, Paranavaí celebra a data oficial do município, mas também uma trajetória construída bem antes de 1952. A pesquisa reunida pelo jornalista David Arioch revela que, antes de se tornar cidade, a região já foi Gleba Pirapó, viveu o ciclo de Montoya, foi chamada de Fazenda Brasileira e, só então, ganhou o nome que conhecemos hoje em dia, sendo reconhecida como a Capital do Noroeste.

Fonte: Portal da Cidade Paranavaí