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Jardim Itália II

Família de homem morto a tiros pela polícia em Paranavaí contesta versão da PM

Família enviou nota de esclarecimento à imprensa contestando alguns fatos informados pela PM sobre o caso, que aconteceu no último domingo

Postado em 16/10/2020 às 17:16 |

José Francisco Bertaggia tinha 59 anos e era aposentado do D.E.R. (Foto: Arquivo familiar)

A família de José Francisco Bertaggia, de 59 anos, morto a tiros pela Polícia Militar durante o atendimento de uma ocorrência de disparo de arma de fogo, no último domingo (11), no Jardim Itália II, encaminhou nesta sexta-feira (16), ao Portal da Cidade, uma nota de esclarecimento em que contesta a versão apresentada pela Polícia Militar sobre o caso.

O texto diz que as notícias divulgadas pelos meios de comunicação consideraram apenas a versão fornecida pela própria polícia militar, que disse que o homem não teria acatado as ordens de largar a arma, antes de ser baleado. Versão que é contestada pela viúva da vítima, que presenciou o fato.

Veja  a nota na íntegra:

"A família da vítima vem, através desta, prestar esclarecimentos quanto às recentes notícias, amplamente divulgadas nas mídias e nas redes sociais. Tratam-se de notícias que tiveram como fonte, apenas as informações fornecidas pela própria Polícia Militar (PM), sem ouvir as outras partes e/ou aguardar os laudos técnicos. Essa versão noticiada destaca que a PM recebeu uma denúncia de testemunhas que declararam que havia um cidadão efetuando disparos de arma de fogo em via Pública e que ao adentrar a residência tentaram verbalizar com o homem de 59 anos, para que largasse a arma, porém este não acatou a ordem legal. Afirmam na nota que para repelir a “injusta agressão” o policial teve que fazer o uso proporcional da força (referindo-se a dois tiros no peito da vítima, matando-o imediatamente). É necessário enfatizar que as testemunhas citadas nas notas, muito provavelmente, são as mesmas pessoas que praticaram as agressões à vítima, antes da chegada da PM na residência.

Diante do exposto, deseja-se esclarecer que a vítima (Sr. José Francisco Bertaggia) era um homem íntegro, honesto, pai de 03 (três filhas), casado, aposentado pelo Departamento de Estradas e Rodagens, pessoa idônea e sem antecedentes criminais e que em nenhum momento desacatou a Polícia Militar e tampouco lhes ofereceu riscos a integridade física.

A família considera essencial relatar parte da versão contada pela viúva da vítima (testemunha dos fatos) que esclarece que antes da chegada da PM, a vítima havia tido uma discussão com pessoas que participavam de uma festa em uma “área de lazer” próxima à sua residência. A desavença se deu em decorrência de que algumas pessoas foram até sua casa alegando que ele havia supostamente derrubado uma moto com seu caminhão. A viúva da vítima afirma que pediu para que retornassem em outro dia, pois estavam nervosos, entretanto, as pessoas começaram a lhes ofender e proferirem ameaças, inclusive disparando pedras e lajotas no caminhão e dentro de sua residência. Em resposta às agressões sofridas, a vítima pegou a arma calibre 22 e disparou um tiro em direção ao pneu de seu caminhão, sem oferecer qualquer risco em via Pública, tendo como único intuito afastar as pessoas que lhe ameaçavam. Logo após, ao perceber que as pessoas haviam se afastado de sua residência, se deitou no sofá para descansar e acordou somente quando percebeu passos em seu quintal. Nesse momento, por imaginar que se tratava das pessoas que lhe ameaçavam levantou armado, porém, ao se deparar com a polícia, de prontidão abaixou a arma, mesmo assim, de imediato recebeu dois tiros no peito, indo a óbito na hora.

Ao contrário da nota anterior divulgada com informações fornecidas pela Polícia Militar, a viúva (que testemunhou o crime), afirma que a vítima foi abordada na sala de sua residência e que em nenhum momento o mesmo teria recebido orientações para largar a arma ou de que a Polícia Militar havia adentrado a residência. Afirma que a vítima demonstrou um imenso alívio ao perceber que eram policiais em seu quintal, pois temia que fossem as pessoas que haviam lhe ameaçado anteriormente, entretanto, ao invés de dialogarem, ou ao menos atirarem em um órgão não vital, deram dois tiros no peito, matando-o imediatamente. Ela ainda relata que após o ocorrido a própria também teria sofrido agressões físicas e psicológicas por parte dos policiais (aguarda-se os resultados dos exames que poderão comprovar as alegações).

Enfim, aguarda-se pelos resultados dos laudos e o andamento dos inquéritos investigativos para que as realidades dos fatos sejam apuradas e que a seguinte questão seja enfim respondida: “As ações de "uso proporcional da força" foram realmente adequadas”?

A família almeja que a JUSTIÇA SEJA FEITA! "

Posicionamento da Polícia Militar sobre o caso

O comando do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM) informou que, imediatamente, após o caso, foi instaurado um inquérito policial militar, como em todos os caso relacionados a confrontos armados.

Conforme o comandante, Coronel Jefferson Luiz de Souza, esse inquérito vai apurar as circunstâncias em que os fatos ocorreram e tem o prazo de 40 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado por mais 20 dias.

Ainda segundo o comando da Polícia, os policiais envolvidos no caso continuam trabalhando normalmente até o final das investigações e estão à disposição para responder o inquérito policial.



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