O Paraná se consolidou como referência nacional na inclusão de povos indígenas no ensino superior. Desde a criação da Lei Estadual nº 13.134, em 2001, que instituiu a reserva de vagas para indígenas nas universidades estaduais, o número de candidatos interessados em ingressar na graduação tem crescido significativamente.
O primeiro Vestibular dos Povos Indígenas, realizado em 2002, contou com 61 inscritos. Mais de duas décadas depois, o processo seletivo ultrapassou a marca de 500 candidatos, demonstrando o avanço do acesso à educação superior entre as comunidades indígenas.
Atualmente, o vestibular reserva seis vagas em cada uma das universidades estaduais do Paraná e outras dez vagas na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O processo é realizado anualmente e considera as especificidades culturais e linguísticas dos povos indígenas.
A Universidade Estadual de Maringá (UEM) está entre as instituições mais procuradas pelos candidatos e também se destaca pela formação de profissionais indígenas. Segundo dados da instituição, atualmente há 106 estudantes indígenas matriculados em cursos de graduação, entre modalidades presencial e a distância.
Para a professora Isabel Cristina Rodrigues, integrante da Comissão Universidade para os Indígenas (Cuia), o aumento da procura pelo ensino superior está diretamente ligado às conquistas obtidas pelas próprias comunidades indígenas ao longo dos anos.
Além do acesso, as universidades também desenvolvem ações voltadas à permanência dos estudantes. Na UEM, a Cuia acompanha a trajetória acadêmica dos alunos, oferecendo suporte por meio de auxílio estudantil, atendimento psicossocial e acompanhamento psicológico.
A coordenadora estadual da comissão, Maria Christine Berdusco Menezes, destaca que a presença dos estudantes indígenas contribui para fortalecer a interculturalidade dentro das instituições de ensino e ampliar o diálogo entre diferentes realidades culturais.
Inscrições abertas
A 26ª edição do Vestibular dos Povos Indígenas está com inscrições abertas até 30 de junho. Neste ano, a organização do processo seletivo é de responsabilidade da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em parceria com a Comissão Universidade para os Indígenas (Cuia).
As provas estão previstas para os dias 27 e 28 de setembro e serão aplicadas em Terras Indígenas e polos específicos. O processo inclui prova oral, redação e questões objetivas de diferentes disciplinas.