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Após doença rara e dois transplantes, Lucas realiza sonho de correr em Paranavaí

Menino teve a oportunidade de participar de uma prova com o apoio do Instituto Médicos do Humor; mesmo com chuva, fez questão de correr.

Publicado em 13/10/2026 às 16:20
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A história do menino também revela a importância de olhar para além dos diagnósticos e das limitações. Entre consultas, terapias e desafios diários, existem sonhos, desejos e conquistas que merecem espaço. (Foto: Reprodução )

A medalha que Lucas levou para casa representa muito mais do que a participação em uma corrida. Por trás da conquista está a história de um menino que enfrentou uma doença rara, passou por dois transplantes de medula óssea e mobilizou a família em uma longa jornada de cuidados e tratamentos. Em Paranavaí, a oportunidade de participar de uma prova esportiva transformou em realidade um sonho que ele já expressava nas brincadeiras: ser atleta.

Lucas foi diagnosticado com a síndrome de Pelizaeus-Merzbacher, uma doença genética rara que afeta o sistema nervoso. A descoberta veio depois de uma longa busca por respostas. Segundo a mãe, Cíntia, a gestação transcorreu normalmente, mas, nos primeiros meses de vida, começaram a surgir sinais de que o desenvolvimento do filho não seguia como esperado.

Por volta dos quatro meses, o menino apresentava dificuldades para se alimentar, episódios frequentes de pneumonia e hipotonia, caracterizada pela diminuição do tônus muscular. A família passou por consultas e exames até chegar a uma resposta mais precisa.

Quando Lucas tinha 1 ano e 8 meses, um exame de ressonância magnética apontou alterações cerebrais. A investigação genética realizada em Curitiba permitiu identificar a doença.

Dois transplantes e uma longa jornada de tratamento

O primeiro transplante, realizado com células de cordão umbilical provenientes da Inglaterra, não teve o resultado esperado, pois o enxerto foi rejeitado. A família precisou enfrentar uma nova etapa: o segundo procedimento, dessa vez com medula óssea do pai, que era parcialmente compatível.

De acordo com o relato dos pais, Cintia e Wilson, o segundo transplante teve resultado positivo. Desde então, Lucas continua recebendo acompanhamento médico, principalmente na área neurológica, além de cuidados voltados ao desenvolvimento.

A rotina inclui terapias e acompanhamento de diferentes profissionais, como fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo e fisioterapeuta. Na escola, ele também recebe apoio e adaptações nas atividades, respeitando suas necessidades.

Apesar dos desafios, eles descrevem o filho como um menino comunicativo, alegre e que gosta de fazer amizades.

O sonho de ser atleta

Foi durante as férias com o avô materno, que é corredor, que Lucas teve uma experiência que despertou ainda mais seu interesse pelo esporte. Os dois foram correr na Praça dos Pioneiros, em Paranavaí, e o menino gostou tanto da atividade que passou a demonstrar vontade de participar de uma competição.

Observando a força de vontade e a aptidão para atividades esportivas, a família paterna trabalhou também durante as férias sua independência e autonomia para a realização das atividades sozinho, incluindo a participação no campeonato de basquete do avô.

A mãe decidiu conversar com uma amiga que faz parte do Instituto Médicos do Humor para saber se havia a possibilidade de Lucas participar de uma prova. A amiga levou a ideia aos organizadores, explicou a condição do menino e ajudou a viabilizar a inscrição.

A oportunidade chegou, mas o dia da corrida amanheceu chuvoso. Ainda assim, Lucas não queria desistir. Segundo Cíntia, ele disse que colocaria uma capa para poder participar.

Ao final da corrida, Lucas ligou para o pai e exibiu todo orgulhoso sua conquista, emocionando a toda família que participava da ligação.

A determinação do filho também deu coragem à mãe para enfrentar o tempo e levá-lo à prova. O que poderia ser apenas mais uma atividade esportiva acabou se tornando uma experiência marcante para toda a família.

Lucas participou da corrida, recebeu sua medalha e ficou tão feliz com a conquista que, conforme contou a mãe, passou a dormir com ela.

Esporte, inclusão e pertencimento

Para os pais, a participação na corrida vai muito além do resultado esportivo. A experiência representa uma oportunidade de socialização, autonomia e inclusão, permitindo que o filho vivencie algo que desejava e se reconheça como parte daquele ambiente.

Os pais agradeceram ao Instituto Médicos do Humor e aos organizadores pela acolhida e pela oportunidade oferecida a Lucas.

A história do menino também revela a importância de olhar para além dos diagnósticos e das limitações. Entre consultas, terapias e desafios diários, existem sonhos, desejos e conquistas que merecem espaço.

Para Lucas, a corrida terminou com uma medalha. Para a família, ficou a lembrança de um dia em que ele pôde viver o sonho de ser atleta — e a certeza de que oportunidades de inclusão podem transformar experiências simples em momentos inesquecíveis.


Fonte: Portal da Cidade Paranavaí

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